domingo, 23 de setembro de 2012










No cabo da Enxada


Não quero me sentir morto

Para não deixar a saudade

Em quem me ama de verdade


Não fui indiferente quando chegou à calamidade silenciosamente a minha cidade

Arrastando tudo com tremenda fúria e intensidade

Vou ajudar o meu próximo com amor e com saudade


Afagar na dor, e na salvação

Comemorar com meus irmãos

Que até diante da destruição

Não devemos virar as costas para os que soterrados estão


E um herói anônimo sem opção

Jogou uma corda para salvar

A dona e o seu cão

Diante do mundo

Boquiaberto de emoção


Dar esperança

Para quem dormiu com um teto sobre a cabeça

E acordou de madrugada

Vendo os seus entes queridos sendo levados pela correnteza


Partilhar com rápidas soluções

E nenhum momento permitir que se esqueça

Que muitos já estão na incerteza

Do ente querido que apareça

E sempre respeitar a natureza na dor e na tristeza


E um amigo fiel de cor caramelo

Tentava resguardar a cova rasa do seu dono

Coberta pelo barro amarelo


E proteger aquele que tantas vezes o levou para passear

E que nunca iria deixar seu verdadeiro amigo

Esquecido em algum lugar


Ter fé mesmo que tudo esteja na completa escuridão

Não se pode deixar para trás na destruição

Aqueles que desesperados estão

E diante daquela situação

Sucumbiram quatro de uma corporação

Seus esforços não foram em vão

Irão permanecer como ícones de uma nação


Não quero pensar!

Não quero sentir!

Eu quero agir!


E diante de tudo poder assistir

Uma criança sair ilesa com seu pai

Sem nada sentir


E mesmo apreensivo diante de todo o medo

Sabia que estava com seu herói e o aconchego

Que com a água da chuva e a saliva o hidratou em segredo


E mais um pai do outro lado

Numa decisão desesperada

Teve que ter a perna do filho quebrada

Para retirá-lo debaixo de pedra

E madeira traçada


E mesmo que a fome e o frio venham a insistir

Não juntaremos o que sobrou e partir

Pois, diante do que possa vir

Não desistiremos de ti

E lutaremos por você terra querida como um mártir


O gemido e a dor se juntaram a fé e o Louvor

Porque, seja o que for

Um menino vira homem para salvar a sua avó e também seu avô


O que falar?

O que fazer?

Veja para crer!


Diante dos meus olhos eu não consigo descrever

E que ainda está para nascer

Um ser humano que vendo isto

Não consiga se comover


Mesmo que para muitos não haja solução

Tenho plena certeza que dias melhores virão

Sempre acreditarei nisso através da oração


E a tristeza em vários rostos estampada

Um dia eu verei os lírios nascerem novamente

Na beira de uma nova estrada


Pois, tudo de ruim um dia irá passar

O ente querido no céu irá encontrar

A garganta seca e a dor no peito da perda

Com outros um dia dividirá o sagrado pão sobre a mesa


E você mulher eleita para presidente

Não permita que essa gente decente

Se torne parte de uma sociedade carente

E que não fique na mente

Que muitos serão enterrados como indigente


E que ninguém se sinta morto achando que é uma alma penada

Com coragem e o cabo da enxada

Voltaremos a construir novamente

A nossa querida cidade inundada.


"Este é meu alerta e homenagem a todos que perderam e perdem entes queridos em catástrofes naturais. E que todos nós sem nenhuma excesão, não deixemos que tudo o que aconteceu fique esquecido. E, principalmente as autoridades, não se esqueçam que outros Brasileiros de Norte a Sul, não fiquem a mercê da própria sorte."








Tony dy Carlo















sexta-feira, 7 de setembro de 2012



 
 Negócio

Porque a propaganda é a alma do negócio. O que não se pode propagar é um negócio sem alma.

Tony dy Carlo